Hollyland Lark M2 x Boya BY-V20, eu fico com o Lark
O Boya pipocava e me fez regravar vídeo inteiro. No comparativo o áudio quase empata, mas pela confiabilidade eu fico com o Lark M2.

O Boya BY-V20 estava insustentável. Ele pipocava, às vezes não conectava, e eu tinha que gravar um pouquinho e voltar no computador para ver se o áudio tinha sobrevivido. Perdi partes, tive que regravar dois vídeos inteiros, e um deles foi o do enrolador de mangueira, lá fora, longe do Wi-Fi da casa, com o microfone do meu lado. Só vi o corte na edição. Pesquisei, caí no Lark M2, que o pessoal trata como queridinho de quem grava, e ele passou a ser o microfone do canal.
No meio do caminho eu viajei, voltei e só ia dar para gravar de novo depois de abrir essa caixa. Então o unboxing virou comparativo: varei escritório, quarto e até atrás da geladeira e trouxe o que achei. Confira o preço e a disponibilidade atualizados no link.
O que veio
A caixa abre por baixo, e o peso não era pedra. Eu comprei o Mini Combo, que traz receptor para câmera, dois transmissores e o estojo que também carrega. O receptor USB-C eu já estava usando no celular que gravava, então ele não aparece encaixado na case. E essa é a pegadinha do kit: o estojo só guarda o receptor de câmera e os dois microfones. Se isso te incomodar, pega a versão só de celular.
Eu peguei esse combo pensando num upgrade de câmera lá na frente. Por enquanto o canal continua no celular, então toma cuidado na hora de escolher o kit. Em compensação vem uma bag para juntar o resto, adesivo para tapar o logo da Hollyland se você não quiser fazer propaganda, cabo USB-A para USB-C, cabo de áudio para o receptor de câmera, dois windshields que eu chamo de pompom e os colares magnéticos. O colar prende mais forte que na roupa, e a moedinha vai por baixo do tecido. Manual, packing list e garantia também vieram.
Troquei o Boya no meio da abertura, 1 2 3, e o restante do vídeo já é o Lark sem tratamento. Eu ainda não tinha ouvido a gravação, então o primeiro julgamento foi o de vocês.
Os outros microfones da casa
O pior desempenho, e acho que deu para perceber, foi Bluetooth. QCY T13 e Redmi AirDots ouvem música bem, mas na hora do microfone o perfil muda para mandar e receber ao mesmo tempo, a banda divide e vira som de lata dos dois lados. Não nasceram para gravar vídeo. Quebram um galho em ligação, e para o canal não serve.
Logitech G935 e G733 não são Bluetooth: cada um tem dongle USB em 2,4 GHz, justamente para ter áudio decente e latência baixa no jogo. O microfone é básico. Dá para call, não dá para o tipo de gravação que eu faço. Eu gosto do G935 na videoconferência porque a almofada de courino veda e o braço fica perto da boca. O G HUB até melhora um pouco o mic, só que derruba FPS em alguns jogos, então eu não uso. O G733 vaza mais porque a almofada é de pano.
O Razer D.VA Meka, edição do Overwatch, é com fio e pede aquele adaptador P3 para o PC que separa fone e microfone. É pesado, aperta, machuca um pouco e a almofada não encaixa direito, ainda mais de óculos. O microfone é omnidirecional, então pega o jogo, o tiro, o que você está ouvindo, e a Ayumi quando usa eu peço para ela desligar o mic. Desses headsets é o que tem o melhor som, principalmente o grave, e é um pecado a Razer não ter acertado o microfone nisso.
A lapela com fio Sony ECM-LV1 tem duas cápsulas e grava em estéreo, o que no peito quase não muda. Ligada direto na placa do PC fica chiada e baixa. Com a interface Behringer U-Phoria UM2 e o Boya 35C-XLR Pro a coisa sobe, porque aquele cabo não é um adaptador bobo: ele desce o phantom de 48 V para algo na faixa de 3 a 5 V. Quebra o galho, não chega no Boya sem fio, e a graça dela é o estéreo externo. Sem fio ela não é, no celular não entra, e jornalista antigo gostava dela por causa do cabo. Eu ainda ficaria com o Lark pela mobilidade.
O BM-800 é aquele condensador genérico de mesa, várias marcas com o mesmo nome, e no comparativo foi o que mais encorpou a voz, talvez até na frente do Lark. Precisa de interface, phantom e cabo próprio. A desvantagem é ficar paradão na mesa. Serve para podcast parado, não para o jeito que eu gravo.
Lark M2 x Boya BY-V20
Aí sobram os dois que nasceram para conteúdo. Só ouvindo no headset, a diferença é pequena. O Boya fica um tiquinho mais estridente, principalmente com redução de ruído. O Lark deixa a voz um pouco mais encorpada. A Ayumi, que edita, já sentiu que o Lark perdoa mais quando precisa de ganho. Os dois captam alto, e o Boya estoura mais, não só neste teste, nos outros vídeos também. No celular isso some um pouco.
Uma comparação mais justa com o Boya talvez fosse com o Lark A1 Duo, mas não tenho ele. No vídeo eu disse Lark M1, mas era do A1 que eu estava falando. A correção está na descrição e nos comentários.
A presilha do Boya tomba na camiseta, ele é um pouco pesado e deixa a roupa torta. Eu arranquei, colei ímã e prendo com moeda por baixo. Por isso não acionei a garantia de dois anos. O pipoco já existia antes da gambiarra, e o enrolador de mangueira prova. O Lark já vem com ímã e moedinha. Sem adaptação.
Bateria do transmissor do Lark, no papel, 10 horas, e a case sobe o conjunto para 40 horas no total, não 80 com os dois microfones ao mesmo tempo. O Boya aguenta 9 horas e recarrega em 2 horas, contra 1 hora e meia na caixinha do Lark. Os dois receptores USB-C passam carga para o celular enquanto você grava.
Os dois amostram em 48 kHz. O Lark grava em 24 bits, o Boya em 16, e essa diferença é abissal na edição: 16 bits anda perto de 65 mil combinações, 24 bits sobe para a casa dos 16 milhões. Só ouvindo o arquivo cru você quase não vê. Quando precisa amplificar, o Boya deteriora e o Lark tem margem. SNR no papel o Boya ganha, 80 dB contra 70 dB, e no teste ele realmente pegou menos ambiente com o redutor desligado. Eu não medi isso, pode ser SNR ou o Lark ser um pouco mais sensível. SPL máximo o Boya anuncia 120 dB e o Lark 115 dB, então no papel o Boya aguenta um berro melhor. Na prática o Boya que eu usei estoura bastante, e o pouco que eu vi do Lark não estoura tanto. Frequência o Lark vai de 20 Hz a 20 kHz, o Boya para em 16 kHz.
Cancelamento de ruído, NR no Boya e ENC no Lark, eu não achei tão diferente. O Boya puxou um pouco mais para lata. Os dois tiram ambiente. Transmissão nos dois é 2,4 GHz, e o Lark tem Adaptive Frequency Hopping, troca de faixa quando o ambiente está saturado de Wi-Fi e gadget. Foi um dos motivos da compra. Eu não sei se o pipoco do Boya era transmissão ou o celular, porque testamos em outro aparelho e repetiu. O Lark ainda tem uma telinha de metal no microfone contra interferência. Alcance anunciado, 300 m sem obstáculo contra 100 m. Eu não medi. Quero ir até a praia, uns 250 m, 260 m, e testar o windshield com vento.
Vale a pena?
Se o critério é custo-benefício e o Boya não tivesse pipocado, o Boya ganhava. O Lark sai perto de 2,7 vezes mais caro, e a diferença de áudio quase não aparece. Por confiabilidade eu fico com o Lark. Não dá para gravar dois, três minutos e pausar para caçar pipoco, ainda mais quando você está no embalo e só descobre na edição.
O Boya é um microfone de entrada decente. Eu não recomendo este modelo depois do que eu passei, e depois de achar review de outras pessoas com o mesmo pipoco nos comentários. Acho que não foi só o meu. Se você quiser arriscar, o link não está aqui de propósito.
Se você grava no celular e quer margem na edição, Mini Combo se tem câmera no horizonte, versão só USB-C se o estojo cheio te irrita. Se o bolso pede o duelo justo com o Boya, olha o A1 Duo. No vídeo eu falei Lark M1, mas o M1 era a versão antiga do A1. Confira o preço e a disponibilidade atualizados no link.









